A luta por justiça
Desde o dia em que o Carlos foi morto num atropelamento e fuga, a dor nunca veio sozinha. Veio também a espera, o silêncio e as perguntas que ninguém devia ter de fazer. Esta página conta a luta por respostas, pela verdade e pela justiça que ainda falta.
Duas viaturas, uma foi excluída
Desde cedo, havia elementos no processo que não podiam ser ignorados.
Duas viaturas foram captadas a circular naquela zona, naquele período de tempo. Uma delas acabou por ser excluída, por não apresentar danos recentes.
A partir daí, restava a outra viatura.
Essa viatura continuou a ser analisada no processo, não por uma ideia sem base, mas pelo que foi sendo recolhido e apurado.
Foi feita perícia a essa viatura, onde foram verificados danos. Esses danos, juntamente com a raspagem referida no processo e os restantes elementos apurados, mantiveram a viatura no centro das diligências.
Para nós, isto sempre foi difícil de aceitar: havia elementos, havia diligências, havia uma viatura que continuava a ser analisada, havia perguntas importantes por responder.
E, mesmo assim, a espera continuava.
Foi ouvido como testemunha, mas ficaram as contradições
Numa fase inicial do processo, o condutor dessa viatura foi ouvido em qualidade de testemunha.
Nessa altura, prestou declarações.
Mas essas declarações não trouxeram a clareza que se esperava. Pelo contrário, houve contradições e ele não conseguiu justificar de forma clara a origem dos danos na viatura.
Para quem esperava respostas, isso não trouxe descanso.
Trouxe ainda mais perguntas.
Porque quando existe uma morte, quando existe uma viatura com danos, quando existem elementos no processo e quando as explicações não esclarecem o essencial, é impossível simplesmente aceitar que fique tudo sem resposta.
Em setembro de 2023, foi constituído arguido
Em setembro de 2023, o condutor foi constituído arguido.
Esse momento mostrou que o processo tinha avançado para uma fase mais séria, com uma posição formal atribuída ao condutor.
Depois disso, sempre que foi chamado a prestar declarações nessa qualidade, exerceu o seu direito ao silêncio.
É um direito que a lei permite. Mas para quem ficou deste lado, à espera de respostas, o silêncio tornou tudo ainda mais pesado.
Porque a dor já existia.
A ausência já existia.
E a falta de explicações continuava.
Meses passavam, mas as respostas não chegavam
Os meses passaram.
Depois os anos.
E com cada mês que passava, ficava mais difícil aceitar que havia tanto por esclarecer e tão poucas respostas a chegar.
A dor de perder o Carlos já era impossível de explicar. Mas ter de esperar por justiça tornou tudo ainda mais pesado.
Não era só esperar por um papel.
Não era só esperar por uma decisão.
Era viver todos os dias com a sensação de que uma vida tinha sido tirada e que a verdade continuava presa no tempo.
Uma página pela memória e pela justiça
Foi dessa dor, dessa revolta, dessa saudade e dessa necessidade de verdade que nasceu a página @justicaparacarlossilva no Instagram.
A página nasceu para manter a memória do Carlos viva.
Para mostrar quem ele era.
Para impedir que o nome dele desaparecesse.
E para que a sua história não ficasse esquecida.
Mas também nasceu porque precisávamos de dar voz a uma luta que parecia estar a ser empurrada para o silêncio.
Não nasceu para atacar ninguém. Nasceu para pedir respostas, para procurar justiça e para lembrar que, por trás de um processo, havia uma vida que foi tirada.
Mais tarde, também por conselho de pessoas que nos apoiavam, levámos esta luta para o Facebook e para o TikTok, porque percebemos que quanto mais longe a história chegasse, mais difícil seria deixá-la morrer no silêncio.
Cada partilha, cada comentário e cada pessoa que chegou até à página ajudou a manter o nome do Carlos presente.
O caso chegou aos jornais e à televisão
Com o tempo, conseguimos levar o caso a mais pessoas.
O caso foi exposto no Jornal da Madeira e no Diário de Notícias.
No dia 14 de março de 2025, chegou também à SIC, através do programa Linha Aberta.
Para nós, essa exposição foi importante, porque mostrou que a luta já não estava limitada a quem conhecia o Carlos ou a quem acompanhava a página.
Mais pessoas começaram a saber.
Mais pessoas começaram a perguntar.
Mais pessoas começaram a perceber que havia uma história que precisava de respostas.
O Ministério Público respondeu ao programa dizendo que ainda havia diligências em curso.
Naquele momento, ainda acreditávamos que alguma coisa podia finalmente mexer.
Três dias depois da exposição na SIC
Três dias depois da exposição na SIC, no dia 17 de março de 2025, no dia em que o Carlos faria anos, o processo foi arquivado.
Não há forma leve de dizer isto.
No dia em que devíamos lembrar o nascimento dele, recebemos mais uma queda.
Para quem esperava respostas, o arquivamento não foi só uma decisão processual.
Foi uma ferida aberta em cima de outra.
Depois de tanto tempo à espera, depois de existirem elementos no processo, depois de nos dizerem que ainda havia diligências em curso, ver o processo ser arquivado naquele dia foi devastador.
Mas mesmo assim, não deixámos que acabasse ali.
Depois do arquivamento, a luta continuou
Depois do arquivamento, podíamos ter ficado sem forças.
Mas não ficámos.
Foi apresentado um requerimento para a reabertura do processo. Criámos uma petição online e juntámos assinaturas em papel no Caniçal, em Machico, no Funchal e em Câmara de Lobos.
A luta passou a ser também das pessoas que se juntaram a nós.
Cada assinatura foi mais do que um nome.
Foi alguém a dizer: isto importa.
Foi alguém a dizer: o Carlos não pode ser esquecido.
Foi alguém a juntar-se a uma luta que nunca devia ter sido tão difícil.
Esse apoio mostrou-nos que não estávamos sozinhos nesta procura por verdade.
No dia 13 de junho de 2025, o processo foi reaberto
No dia 13 de junho de 2025, recebemos a notícia de que o processo tinha sido reaberto.
A reabertura não apagou a demora.
Não apagou as falhas.
Não apagou tudo o que tivemos de enfrentar.
Mas naquele dia sentimos que a nossa voz tinha sido ouvida.
Sentimos que cada partilha, cada assinatura, cada pessoa que se recusou a deixar o caso desaparecer, tinha feito diferença.
A reabertura não foi o fim da luta.
Mas mostrou que insistir tinha valido a pena.
2026, três anos depois
Em 2026, três anos depois da morte do Carlos, continuam a existir diligências a acontecer.
Diligências que, na nossa opinião, deviam ter sido feitas logo no início da investigação, e não anos depois.
E, mesmo três anos depois, os elementos continuam a apontar na mesma direção.
Nós sabemos a verdade.
Sabemos o que aconteceu.
Sabemos o peso de tudo aquilo que foi ficando para trás.
O que falta é ação.
O que falta é justiça.
O que falta é que aquilo que já devia ter sido feito avance.
Isso não apaga o tempo perdido.
Não apaga a dor da espera.
Não apaga tudo aquilo que podia ter sido feito mais cedo.
Mas continuamos aqui.
Continuamos a lutar com todas as forças, pela memória do Carlos, pela verdade que sabemos e pela justiça que ainda falta.
E vamos continuar a manter as pessoas atualizadas através da página @justicaparacarlossilva e também através deste site, para que ninguém esqueça o Carlos, nem a luta que continua em nome dele.
"Esperamos que, ao ler esta página, as pessoas sintam a dor e a injustiça de tudo o que aconteceu, mas também o amor imenso que continua a manter o Carlos presente. Queremos que compreendam que por detrás deste caso existia um jovem cheio de vida, com sonhos, pessoas que o amavam e uma vida inteira pela frente."
Por todos os que mantêm o Carlos presente.
O seu apoio faz a diferença
Depois de conhecer a história do Carlos, pedimos que partilhe esta página e ajude a dar-lhe visibilidade. Quanto mais pessoas souberem o que aconteceu, maior é a possibilidade de a verdade ser reconhecida e de a justiça finalmente ser feita. Acima de tudo, queremos que o nome do Carlos continue presente na memória de todos e que esta luta nunca seja esquecida.